História de Alguns Países

Quarta-feira, Janeiro 04, 2006

O Iluminismo

Os iluministas partilhavam das idéias liberais de Locke, pensavam criticamente o Antigo Regime e chegaram a algumas conclusões, como, por exemplo, era irracional e injusto. O iluminismo recebia outros nomes[1] e tinha por princípio esclarecer os indivíduos através da razão. Utilizavam livros e panfletos para divulgar as idéias em linguagem simples e objetiva, a fim de que as pessoas pudessem compreender os escritos.
Novas propostas surgiram, como a garantia de liberdade e de igualdade para todos perante a lei, tendo em vista que somente nobres tinham direitos. A razão era o elemento principal dos pensamentos e a luta por uma educação melhor, pois acreditavam que os homens eram produtos da educação e da sociedade. Rousseau afirmava “o que homem é bom por natureza, a sociedade é que o corrompe.”
O século XVIII foi conhecido como Século das Luzes e, nesse período, as idéias eram revolucionárias. Na Educação, os iluministas acreditavam que a criança deveria ser educada de maneira natural, com liberdade, cara e incentiva, com a finalidade de que fosse despertada a bondade e as qualidades naturais do ser humano.
Progressos materiais[2] e institucionais[3], ingredientes[4] para a fórmula da felicidade humana, otimismo e verbetes[5] foram “trabalhados” no século das luzes. A crítica ao clero e aos ideais da Igreja foram grandes, a Inquisição era odiada pelos iluministas, Voltaire defendia a tolerância e apresentava provas de homens de outras religiões e países poderiam ser inteligentes e bem-intencionados.
A guerra e as perseguições seriam evitadas e o regime político deveria ser justo para estabelecer a igualdade jurídica, ou seja, as diferenças de classes não poderiam ser um indicador para um julgamento diferente. Muitos homens ricos da burguesia não tinham tratamento igual ao da nobreza e assim queriam ter. A burguesia quer os direitos.
O mais importante era o direito a liberdade, escravidão e servidão deveriam ser banidas do regime absolutista. A divisão dos poderes defendida[6] por Montesquieu era uma forma de garantia.
Os iluministas perceberam que existia um princípio fundamental na defesa dos direitos dos cidadãos e o Estado existia para servir ao cidadão, e não o contrário, dessa forma, o próprio Estado deveria se submeter às leis.
Alguns pensadores iluministas franceses se dedicaram a estudar economia, formaram uma corrente de pensamento econômico chamado de fisiocracia[7]. Defendiam o liberalismo econômico, ou seja, a idéia de que a economia só funciona bem quando o Estado não se intromete. Tinha m até um lema para isso: “lassez fire, lassez passer”. Os fisiocratas acreditavam[8] que só existia uma única atividade produtiva: a agricultura.
A revolução francesa de 1789 foi feita em nome dos ideais iluministas, pois os reis franceses, conservadores, não admitiam reformas. Lutar para modificar o governo era a razão contra a ignorância. Idéias assim causaram efeitos devastadores em “mentes” oprimidas[9].
Havia muitos monarcas absolutistas, fora da França, que apreciavam as idéias da ilustração e os governos ficaram conhecidos como despotismos esclarecidos. Uma contradição existia, o Antigo Regime permanecia, porém alguns reis aceitavam determinadas reformas, conforme as idéias dos “liberais”. A maioria dos iluministas, era a favor do despotismo esclarecido.
Escrevendo cada qual ao estilo que melhor era peculiar, Voltaire[10], Rousseau[11] e Montesquieu[12], filósofos iluministas contribuíam para que as idéias fossem “disseminadas”.

[1] Filosofia das luzes, ilustração, esclarecimento e enciclopedismo.
[2] Aquele que tona a vida das pessoas mais confortável.
[3] Aquele que amplia os direitos das pessoas, amplia a liberdade.
[4] Razão, liberdade e progresso.
[5] Enciclopédia de Diderot e D’Alembert.
[6] O governo deveria ser repartido entre pessoas diferentes. O poder Executivo deveria ser entregue ao rei ou a uma pessoa eleita para isso. O poder Legislativo deveria estar nas mãos de uma assembléia de deputados eleitos pelos cidadãos. O poder Judiciário seria exercido por juízes e por tribunais.
[7] Os fisiocratas acreditavam que, do mesmo jeito que a natureza segue as leis da mecânica descobertas por Newton, a economia também funcionaria de acordo com certas leis. Fisiocracia significava, em uma “tradução literal”, “poder da natureza”. Para os fisiocratas, a melhor maneira de fazer a economia de um país se desenvolver seria deixando a economia funcionar naturalmente, sendo assim, atacavam o mercantilismo.
[8] O comércio e o artesanato eram considerados úteis, mas “estéreis”. A agricultura, ao contrário, aproveitava o poder da natureza para transformar pobres sementes em ricas plantações.
[9] Camponeses famintos, burgueses prejudicados em seus negócios, artesãos sufocados por impostos, intelectuais humilhados por nobres, colonos desesperados ante as exigências das metrópoles.
[10] Escrevia de forma simples, engraçada e irônica.
[11] Empenhou-se em mostrar que havia muitos sábios e pessoas honestas nos povos com costumes e religiões diferentes dos europeus. Preferia um governo de assembléias populares, pois só poderia haver direitos de cidadania quando as pessoas participassem das decisões do governo.
[12] Montesquieu era nobre, mas de certa forma contrariou os interesses da nobreza. Foi um dos criadores da teoria da separação dos três poderes para controlar os poderes absolutistas do rei, desse modo, o poder seria limitado pelo próprio poder.

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