História de Alguns Países

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Convite

Os textos são “papers” que foram confeccionados quando eu estudava na 5ª e na 7ª série do Colégio Villa Lobos de Amparo. Todos os temas têm como referência principal os livros:
Schimidt, Mário Furley. Nova História Crítica – 5ª série, São Paulo, Editora Nova Geração, 2002.
e
Schimidt, Mário Furley. Nova História Crítica – 7ª série, São Paulo, Editora Nova Geração, 2002.
Convido vocês para a leitura e para os comentários...
Augusto Chrispim Mengalli Gilberti de Alencar

A Independência da América Espanhola

As colônias espanholas se desenvolveram economicamente, extraiam metade da prata mundial, exportavam açúcar, cacau, algodão, tabaco e couro, um aumento significativo da riqueza de alguns. Colônia e Metrópole tinham alguns interesses atendidos, a primeira, dos criollos[1] e, a segunda, financeiro. Até que o sistema colonial ruiu, no entanto os impostos eram obrigatórios e a insatisfação grande.
A busca por outros mercados por parte da burguesia inglesa e o interesse das colônias por produtos sem atravessadores eram facilitadores de novos mercados para os ingleses. Somando-se o prejuízo que a colônia trazia e o interesse britânico, os ingleses apoiaram a Independência Espanhola com dinheiro, armas, navios, além de apoio militar e sustento diplomático.
Economia e ideologia se misturavam com proporções maiores de acúmulo de riquezas, enquanto a elite se lia os pensadores iluministas contrabandeados, os principais interessados na independência auxiliava com bens materiais, no entanto a “nata” da sociedade espanhola somente tinha interesse em livrar-se da metrópole e criar governos próprios. Reservando os direitos para a própria classe social, um iluminismo excludente.
Era quase unânime a rejeição à nação dominante e o sonho de melhoria de qualidade de vida, entretanto dado ao grande número de divisões de classes, seria devaneio para uns, pesadelos para outros e realidade para quem estivesse no poder. Tupac Amaru, no Peru, e Hidalgos e Morelos, no México, mostraram o medo dos criollos com relação à rebeliões populares. Peninsulares
[2] e criollos eram potenciais soberanos no poder, eram brancos, ricos e proprietários, as diferenças eram os berços de nascimento.
A elite criolla teve de liderar a independência da América Latina, aproveitando-se da situação vivida por guerras na Europa, em especial na Espanha com a queda do rei Fernando VII. Reuniu os insatisfeitos e instalou governos provisórios
[3]. Tempos depois declaram a Independência.
Combates na América Espanhola, quando o rei reassumiu o trono, em 1823, a Espanha estava derrotada, afinal inúmeras repúblicas eram independentes na América Latina, embora Simón Bolívar quisesse que a América da Espanha se tornasse uma grande nação, os interesse de alguns sinalizavam para países autônomos. A grande América não tinha uma capital única, representava vários interesses encostados, eram rivalidades criollas que queriam o poder.
Enfraquecer a América era um ganho de mercado para os ingleses que não teriam dificuldade em conquistar o lucro nas colônias libertas. Auxilio somente para mudar de mãos o dinheiro da população emancipada.

[1] Nascidos na colônia espanhola.
[2] Nascidos na Espanha.
[3] Recebiam os nomes de Juntas Governativas.

A Independência do Brasil

A política, a economia e a sociedade foram os principais propulsores para a Independência, embora fosse para ser uma ruptura definitiva foi um processo gradativo, que teve a participação de grandes proprietários, de burgueses ingleses, de algumas classes sociais e de interesses governamentais. Fatos ocorridos no exterior tiveram grande repercussão no processo de Independência do Brasil, como o Bloqueio Continental, por exemplo. A preocupação em não desagradar grandes nações estrangeiras repercutiu nas decisões de independência, que tinha intenções de comércio com outros países.
A vontade não era somente brasileira, pois outras nações “amigas” visavam o lucro com o comércio sem atravessadores em um marco de independência que inicia com a abertura dos portos brasileiros. Nações “amistosas”, como a Inglaterra, obtinham mais benesse que comerciantes portugueses, tal qual as manufaturas brasileira que não conseguiam competir com as inglesas, embora os brasileiros tivessem a liberdade de instalar fábricas no Brasil.
Os impostos alfandegários eram um entrave para a indústria nacional. Um Reino Unido a Portugal e Algarves com capital no Rio de Janeiro com direito a produzir e comerciar com outros países poderia ser um benefício se todo o país estivesse sendo beneficiado com as medidas monarquias.
Insatisfeitos alguns Estados divulgavam idéias políticas liberais e revoltas eram contidas no Brasil colônia, depois de dias de independência. Ideologia interesseira não combinava por muito tempo, dessa forma, a revolta não ficava firmada e os pobres, mais uma vez, sofriam por ausência de entendimento.
Revoltas tanto na colônia como na metrópole eclodiam, pessoas de confiança do rei deveriam ser nomeadas para conter os desagrados. O regresso da monarquia era evidente, entretanto o filho Dom Pedro poderia governar mais um pouco o Brasil, cuja política estava tensa com as divergências quanto à re-colonização do Brasil.
Novamente, os sistemas de idéias eram conflitantes, logo, revoltas poderiam surgir, como de fato surgiram. A não necessidade de se derrubar o governo perpassava pelo convencimento de Dom Pedro para assumir a liderança do movimento de independência. O filho no poder poderia conter as manifestações que teimavam em existir no grande Brasil, entretanto a vontade da metrópole era diferente da colônia que conseguiu assinaturas para que Dom Pedro ficasse no Brasil.
O Dia do Fico representou o poder dos interesses brasileiros e o anúncio das eleições para uma assembléia constituinte gerou novas divergências entre conservadores e radicais. Somente a Independência do Brasil poderia ser a salvação do caos, assim, o “Grito do Ipiranga”, em 07 de setembro foi uma saída para a pátria amada, idolatrada e querida pelos interesses de alguns. Dom Pedro I era o primeiro de vários governantes que não tinha sido eleito pelo povo.

A Independência dos EUA

O “colonialismo” norte-americano se sentia prejudicado, altos impostos e leis que anulavam os negócios da colônia foram motivos de insatisfação. A liberdade para os empreendimentos deveria ser recuperada, a rebelião era inevitável. Norte-americanos e ingleses tinham idéias e interesses contrários, o dinheiro pertencia ao governo, cujo domínio era majoritário, trabalhando com impostos para a “Metrópole”, os colonos se rebelavam.
A Guerra dos Sete Anos
[1], por exemplo, era um meio de aumentar as receitas inglesas, tendo em vista que os colonos alegavam que o investimento inglês foi pequeno para que os valores cobrados. A Inglaterra percebia na colônia um mercado consumidor para os produtos industrializados, no entanto não poderia deixar as liberdades econômicas, sendo assim, proibiu que a colônia tivesse as próprias manufaturas.
Impostos, taxas e leis, opressão que não era suportada pelos colonos. Os debates entre os que habitavam a colônia resultaram em passeatas
[2] que eram reprimidas com morte de civis.
A diminuição do lucro das Treze Colônias em relação ao chá
[3] provocou revolta nos comerciantes da colônia que disfarçados de “índios” atacaram os navios da Companhia das Índias[4]. O liberalismo político[5] seria a solução momentânea para tanta opressão, entretanto o governo britânico recusou o possível recurso. Dessa forma, o confronto e a agitação ideológica foram a manifestação dos reprimidos.
Os homens mais ricos e influentes
[6] da Colônia se reuniram num congresso, na cidade da Filadélfia e decidiram formar um exército para lutar pela independência nacional. No dia 4 de julho de 1776, os rebeldes anunciaram a celebre declaração de Independência dos Estados Unidos da América. Esse documento foi redigido por Thomas Jefferson, um intelectual e fazendeiro que mais tarde seria presidente dos EUA.
O conteúdo da declaração de Independência era geral e muito das idéias foram aproveitadas para outras nações, porém somente a aliança com a França beneficiou os colonos contra a Inglaterra. Embora imediatista a união entre os interesses da colônia, cada classe assumia uma visão de governo.
A Constituição dos Estados Unidos, feita em 1787, mostrava a vontade dos mais poderosos, assim, visões de liberdade eram semelhantes a propriedades. O entusiasmo europeu e americano acreditava que a Revolução Americana era a confirmação prática dos ideais iluministas. “Tiradentes”, entusiasta do Brasil, na época da decadência da mineração, acreditava nesses ideais de liberdade.

[1] Um confronto, na América, entre os colonos ingleses e os colonos franceses. Os dois lados brigavam pelo controle das florestas que se achavam a oeste das Treze Colônias. No final os colonos ingleses venceram.
[2] Protesto na cidade de Boston.
[3] A Lei do Chá garantia o monopólio de comércio da Companhia das Índias Orientais, uma empresa que pertencia à burguesia britânica.
[4] The tea party of Boston - A festa do chá em Boston.
[5] Pregava que o governo deve se submeter à vontade dos cidadãos. Representantes deveriam viajar até Londres para ser deputado do Parlamento britânico, defendendo os interesses dos colonos.
[6] O fazendeiro e general George Washington.

A Revolução Francesa

A economia francesa no século XVIII estava caótica, as condições de vida dos camponeses eram permeadas por obrigações feudais, incluindo péssimas condições econômicas e sociais, assim, também era a realidade nas cidades, com altos impostos e preços exorbitantes, a fome imperava. Artesãos, operários de manufaturas e pequenos comerciantes se agrupavam no san-cullotes[1].
A insatisfação era geral, enquanto o governo investia no luxo da nobreza, a burguesia não conseguia capital para o investimento nos negócios. A esperança de que os governantes abrissem estradas e melhorassem os portos era remota. Idéias foram surgindo e se espalhavam pela França sofrida. O humorismo em relação à situação era sarcástico e desenhos ilustravam a insatisfação do povo.
Queda na produção e aumento dos preços contribuía para mais descontentamento. A falência do Estado era eminente e a divisão da massa falimentar deveria ser dividida com a nobreza que teria de pagar imposto, logo, o aborrecimento foi geral, além do pagamento, perderiam os privilégios. A consulta à sociedade francesa
[2] não obteve resultado satisfatório. O Terceiro Estado se rebelou, ameaçando criar uma Constituição, o que de fato aconteceu no Estado Absolutista.
A queda do regime absolutista começava na “tranqüilidade” da revolução, que deixou de ser calma, porque o rei e os nobres não queriam perder as regalias. As armas dos governantes iniciaram revoltas, no entanto o poder estava com a maioria os sans-culottes formaram uma multidão que ganhou as ruas e invadiu a fortaleza francesa. A queda da Bastilha foi o início da Revolução Francesa.
Não era somente um agrupamento social que se rebelava, camponeses invadiram castelos e ocupavam pedaços de terras, dessa forma, foram reprimidos pelos deputados
[3] da Assembléia Nacional. Atitudes deveriam ser tomadas, a aprovação da Declaração[4] dos Direitos do Homem e do Cidadão e a formulação da Constituição foram documentos importantes para o fim do absolutismo, que passava a ser uma monarquia constitucional.
Embora a luta fosse conjunta, a burguesia tinha saído mais fortalecida e beneficiada. O quesito do sufrágio censitário
[5] para a eleição de deputados foi mal vista pelos participantes das revoltas. A exigência por mudanças continuava, e o apoio de Robespierre[6], foram precursores de mais insubordinações. A ajuda da Áustria e da Prússia, a fim de restaurar o absolutismo, foi satisfatória no início, contudo as desconfianças recaíram sobre o rei francês, que tentou fugir, porém foi preso.
A vitória foi francesa e a república proclamada. O governo estava a cargo da Convenção
[7] que governava com três partidos: a Gironda[8], a Planície[9] e a Montanha[10]. Oscilações ideológicas aconteciam, entretanto consensos existiam, como, por exemplo, o julgamento a respeito do rei Luís XVI, culpado e apesar das agitações e, em alguns casos, discordâncias, o monarca foi executado. O resultado foi invasões e declínio do poder francês.
Interesses movimentavam a Convenção, a mudança de poder para “as mãos” dos jacobinos provocava revoltas e vontade de estar no domínio novamente. A criação de impostos para os ricos que revertiam em assistencialismo poderia ser necessária para ter o apoio popular. O terror estava presente, em um período que recebera o nome de Período do Terror, houve a condenação dos “inimigos da revolução” e a nação se mobilizava para a guerra.
Todos assumiam papéis na mobilização para o combate, incluindo o exército de “soldados-cidadãos” que se instrumentalizavam para a vitória contra os invasores e como conseqüência a burguesia se preparava para retomar o poder. Esforços foram feitos para evitar, novamente, o terror e a insegurança estavam presentes na França. Grupos se divergiam internamente e o isolamento concorreu para a perda de apoio.
A gana era muita e sentimentos raivosos tomaram o cenário de insatisfação. A perda do poder por parte dos jacobinos, foi comemorada pelo grupo do Pântano em golpes contra o perdedor. Execuções sem julgamento marcaram a reassunção da burguesia, conhecida como “reação termidoriana”. O cenário era de horror. O governo mudava de nome, todavia era mais um “jogo” de interesses que uma preocupação social, mesmo assim um avanço para países europeus que “viviam” em Antigos Regimes.
Diretório era o nome que foi dado a uma Assembléia, cujo domínio estava “nas mãos” de uma classe, dessa forma, não tinha autoridade suficiente para governar. Napoleão Bonaparte
[11] seria a solução para a França, propostas de “golpe” para que governasse e modificasse as questões políticas com a “força”. Assim foi feito, após um mês “de golpe”, foi imposta nova Constituição, com poder ditatoriais por dez anos e título de cônsul ao golpista. Parecia que a França tinha intenções de paz, um banco foi criado para controlar as finanças e apoiar os projetos econômicos da burguesia.
Leis em favor da burguesia foram criadas, como, por exemplo o Código Civil de 1804 e um plebiscito fraudulento que tornava Bonaparte imperador, defensor dos negócios da burguesia, amedrontava nações absolutistas. Revoluções aconteciam e a França de defensora começa a fazer parte do ataque. Vencer a “dura” Inglaterra era a meta, assim, foi decretado o Bloqueio Continental
[12], que teve “vida curta”, tendo em vista que os produtos ingleses tinham melhor qualidade e os outros países não queriam ser oprimidos. O resultado da “empreitada” napoleônica foi o exílio[13] do imperador.
Todos queriam o que deles fora “tomado”, a sugestão de um novo rei, Luís XVIII, para governar não foi aceita, entretanto o retorno de exilado foi aceito. Alguns meses “permitiram” que sentisse mais um pouco o gosto pelo poder, pois o envio para uma nova expatriação foi feito pelos ingleses que o enviaram para uma pequena ilha, Santa Helena, na África. Local de morte em 1821 devido a problemas de saúde.

[1] Grupo social no qual se reuniam pequenos produtores urbanos e comerciantes.
[2] A convocação da Assembléia dos Estados Gerais. Oficialmente, a sociedade francesa estava dividida em três Estados: Primeiro, membros do alto clero; Segundo, nobres; Terceiro, a população francesa e as sub-divisões de classes. Para o primeiro e o segundo Estado havia tribunais especiais. No ano de 1789, novecentos deputados foram escolhidos para representar os três Estados.
[3] Na chamada Noite do Grande Medo, foi decretado o fim de todos os privilégios feudais.
[4] Baseava-se nas idéias iluministas.
[5] Somente as pessoas com certo nível de renda podiam votar.
[6] Advogado e defensor do fim da escravidão nas colônias e do direito das mulheres ao voto
[7] Assembléia eleita com sufrágio universal masculino.
[8] Sentavam-se na ala da direita da Assembléia e representavam a alta burguesia. Estavam de acordo com a revolução, todavia não queriam novas mudanças.
[9] Planície ou o Pântano ficava no centro, representava a alta burguesia.
[10] Os jacobinos ficavam do lado esquerdo e recebiam o nome de montanheses, porque se sentavam nas cadeiras do alto. Representantes da pequena burguesia, no entanto consideravam que os interesses dos sans-culottes e dos camponeses deviam ser atendidos., haja vista que se tornaram algumas das mais famosas figuras da Revolução.
[11] Nasceu na Córsega, uma antiga região italiana ocupada pela França. A família era da pequena nobreza decadente. Com apenas 24 (vinte e quatro) anos de idade, atingiu o posto mais alto da carreira militar: tornou-se general. Sob o comando dele, os exércitos franceses obtiveram vitórias esmagadoras, assim, o nome dele tornou-se popular.
[12] Punição para o país europeu que ousasse comerciar com a Inglaterra.
[13] Napoleão foi derrotado e mandado como prisioneiro para a ilha de Elba.

Revolução Industrial

Durante a acumulação[1] primitiva de capital, a competição estava presente, assim como, a questão dos custos da produção. O investimento em maquinários e indústrias foi importante para a mudança no cenário mundial e o capitalismo capitalizou a mão de obra barata. Produção seria a palavra da época, quer seja na zona urbana ou na zona rural, pois o lucro era o resultado esperado.
Uma população pobre ou empobrecida aceitava qualquer oferta de trabalho e salário. A ruína de artesãos os recrutava para a venda da mão de obra para as indústrias, o proletariado crescia no Estado que realizava obras favoráveis ao desenvolvimento do capitalismo. O investimento na Educação favoreceu a tecnologia e a crença no progresso beneficiou a ousadia, no entanto a visão de ganho modificava uma sociedade.
Marinha e ferrovias foram responsáveis pela disseminação dos produtos ingleses. Mais trabalho e menos preocupação com os empregados caracterizavam essa revolução na Inglaterra. Após os Estados Norte dos Estados Unidos vencerem os do Sul, em uma guerra civil, indústrias foram implantadas na América do Norte. Governos apoiavam, afinal conheciam os reais benefícios dos apoios. Japão alia-se a burguesia e impulsiona a industrialização.
Reflexões foram feitas a respeito da industrialização, Adam Smith
[2] questiona a relação de poder da época. O mercado era comandado pelo Estado, que regulamentava a economia, havendo prejuízos nas relações de consumo, pois sem a intervenção os consumidores poderiam comprar produtos com qualidade e com preço baixo.
As discordâncias entre fisiocratas e Adam Smith moviam o mercado, do primeiro extremo, a crença na agricultura como a única atividade produtiva possível e, do segundo, a confiança nas virtudes do capitalismo. A industrialização foi grande, no entanto a pobreza cresceu muito mais, o proletariado estava na miséria, pois somente capitalistas enriqueceram-se as custas de barulho, de sujeira, de humilhação, de autoridade e de morte.
O surgimento de favelas e cortiços foi inevitável. O trabalhador precisava ter outro perfil, apenas conseguir controlar os mecanismos. O músculo e a força não eram mais necessários no progresso da industrialização, dessa forma, crianças poderiam ser empregadas.
A busca pelos direitos chegava com a Revolução Industrial, era o início das lutas operárias, que ajudavam os operários a formar consciência de que pertenciam a uma mesma classe social: o proletariado. O Ludismo
[3] conquistou vitórias, todavia o governo defende propriedades e não direitos, assim, poderia condenar os rebeldes à forca. A seqüência dos movimentos em defesa dos direitos dos trabalhadores deu origem aos sindicatos, sendo assim, as lutas econômicas contra a burguesia se refletiam em greves, que, em alguns países, resultavam em perseguição, prisão e morte.
Os cartitas
[4], na Inglaterra, redigiam um documento chamado Carta do Povo e o enviaram ao Parlamento inglês, foi um movimento importante para o proletariado na aquisição da consciência política. O voto de operários especializados e da pequena burguesia foi um ganho considerável para a época.
A culpa para a desventura do proletariado era dos próprios trabalhadores, segundo Thomas Malthus, que previa a falta de alimento, devido ao crescimento acelerado da população. Era uma progressão com resultados desastrosos e com a ajuda das leis naturais haveria mortes por fome, por pestes, por guerras e por catástrofes naturais. Os benefícios que pretendiam ser concedido poderiam ser mais prejudiciais à população.
Os grandes capitalistas poderiam investir em artistas e inventores, não deveriam pagar impostos, haja vista que poderia ser um grande prejuízo para toda a humanidade: impediria o progresso da tecnologia e da economia, arruinaria o desenvolvimento cultural. O governo não deveria servir os pobres, prova da afirmativa foi a adoção de leis que aboliam a ajuda aos desempregados. A mudança de hábitos e costumes foi radical.
A repetição do trabalho agrícola não se assemelhava com o trabalho do proletariado e as transformações incessantes se refletiam em novas máquinas, novos produtos, novos gostos e novas modas.

[1] Por meio de ataques corsários, de tráfico de escravos, de empréstimos a juros, de pagamentos ínfimos, de guerras, de acordos e de tratados.
[2] A obra A Riqueza das Nações (1776) é considerada início da ciência econômica.
[3] Grupos que invadiam as fábricas e destruíam o maquinário, uma das primeiras manifestações de descontentamento.
[4] Operários, artesão e até gente da pequena burguesia faziam parte desse movimento. Reivindicavam o sufrágio universal masculino.

A Revolução Inglesa

Revoluções estiveram presentes na história, na Inglaterra, nos Estados Unidos, na França, no Brasil entre outros países. A revolução inglesa revelou ser uma “conquista” por parte dos cidadãos, poderiam lutar por direitos políticos e por uma igualdade.
A Inglaterra, no século XVI, era uma grande potência econômica, no entanto no século seguinte houve uma mudança econômica na Europa, impostos foram aumentados para que os governantes conseguissem manter o padrão de vida. Uma pequena parcela estava satisfeita, aquela que recebia privilégios, a maioria estava contrariada e sentia-se oprimida.
A política se alterava desde o século XIII e, no século XVII, os parlamentares representantes da burguesia e da nobreza estavam no poder. Descontentes com a situação da época, que envolvia todas as classes sociais em uma guerra civil e estavam insatisfeitos com a aliança da monarquia com os tradicionais senhores feudais e com os grandes comerciantes.
A “gentry”, a burguesia, os artesãos, os comerciantes, os camponeses e os médios fazendeiros apoiavam o parlamento contrário ao rei e “venceram” o exército real, todavia não era somente a política que tinha conflito. A religião também estava em “desordem”, pois embora a igreja anglicana estivesse ligada ao Estado absolutista, a maioria era calvinista.
O general Oliver Cromwell
[1] “chega” ao poder e torna-se um ditador, causando a insatisfação na população e a criação de um grupo[2] político para a oposição. Radicais[3] também se posicionavam contrários aos propósitos do ditador, porém, tantos os niveladores quanto os escavadores, foram presos e executados.
A “gentry” e parte da burguesia foram protegidas no governo ditatorial que impedia a recuperação de prestígio pelos aristocratas feudais. Embora fosse ditador, zelava pelos interesses ingleses, como, por exemplo, no decreto dos Atos de Navegação
[4].
Após a morte de Cromwell, a nobreza feudal e a burguesia restauraram a monarquia com Carlos II, filho do rei decapitado, Carlos I, pois temiam novas revoltas, contudo re-estabeleceram o Parlamento.
Na seqüência da história, outras brigas familiares fizeram parte da vida inglesa na sucessão real. A Revolução Gloriosa foi tida como uma “insurreição” que não houve “derramamento” de sangue.
O respeito à Declaração dos Direitos – Bill of Right – foi fundamental para o restabelecimento da ordem na Inglaterra. O voto censitário, apenas homens com boa renda poderiam votar, excluía a maioria da população trabalhadora, entretanto a consciência política foi “despertada” e tiveram como representantes Thomas Hobbes e John Locke.
O liberalismo
[5] tornou uma doutrina bastante usual do “povo” inglês, unia o direito à propriedade e a garantia da liberdade[6] individual. O absolutismo foi abolido em favor do regime político liberal.
A burguesia foi favorecida pela revolução que estimulou o desenvolvimento do capitalismo na Inglaterra. O país foi precursor na instalação de fábricas que utilizavam máquinas a vapor, a revolução industrial começava.

[1] Cromwell era fazendeiro e casado com a filha de um grande comerciante. Com isso, ele acabou usando seu poder para implantar um regime ditatorial e quem discordasse seria preso pelos soldados.
[2] Os niveladores foi o grupo criado para a oposição e exigiam que os pobres também tivessem o direito de eleger representantes para o Parlamento
[3] Os escavadores, que desejavam que as terras da Igreja anglicana e da aristocracia feudal fossem repartidas entre os camponeses.
[4] Determinavam que o comércio com a Inglaterra só poderia ser feito por navios ingleses ou por navios estrangeiros que carregassem mercadorias do próprio país de origem.
[5] Princípios fundamentais do liberalismo político:
1. Os governos só existem para atender aos interesses individuais. Devem proteger a propriedade privada, a liberdade, a segurança e a vida;
2. Quando o governo não atende aos indivíduos, os cidadãos têm o direito de colocar outros homens para exercer o governo;
3. Os homens responsáveis pelo governo representam os cidadãos. São escolhidos por meio do voto;
4. A lei deve ser a mesma para todos. O próprio governo deve se submeter às leis;
5. A lei deve representar a vontade da maioria dos cidadãos;
6. O governo não tem direito de interferir na vida privada de um cidadão que cumpre a lei.
[6] Não poderia sufocar a liberdade de outro individuo.

As Revoltas Anticoloniais

Dificuldades econômicas o Brasil havia sentido, porém não concomitante com Portugal, colônia e metrópole estavam comprometidas financeiramente. A colonização trazia benefícios para a nação lusa, incluindo o luxo da nobreza. Aumentar os impostos e as taxas seria uma possibilidade de manutenção de ostentação. A revolta foi um passo a mais da conscientização.
Os pensamentos de liberdade estavam presentes em idéias de estudantes universitários que voltaram para o Brasil e em livros contrabandeados. A insatisfação aumentava na medida em que espalhavam as novas ideologias, os encontros secretos cresciam e alguns transformaram em movimentos[1] importantes na história.
A diminuição da extração de ouro preocupava a colônia, tendo em vista que acumulavam dívidas com a metrópole e a derrama[2] poderia ser uma realidade. A elite conspirava silenciosamente contra o dominador, dentre esses ricos conspiradores, estava o pobre Tiradentes que nem tinha muitos motivos para conspirar. Os débitos eram dos ricos e quem os pagou com a vida foram os menos favorecidos.
Além da exploração colonial e do endividamento, a corrupção fazia parte do governo. A independência era uma das possíveis soluções. Projetos eram feitos em relação a manufaturas de tecidos e de metais. Uma elite colonial inteira se preocupava com o dia da derrama e tentava conseguir ajuda da população.
A traição de alguns em busca de perdão das dívidas e a fuga de Tiradentes para o Rio de Janeiro manteve o clima de revolta sob controle na espera da ordem de castigo[3] vinda de Lisboa. O exemplo para todos seria a morte de um, para que a “plebe” se situasse, tendo em vista que a Bahia manifestava o desejo pela liberdade. Castigos em toda a parte, com a finalidade de cobrar obediência. Em Salvador, violência nas repreensões.
A participação popular foi maior na Conjuração Baiana que na revolta mineira. Acredita-se que muitos inconfidentes mineiros eram maçons e que houve a participação da loja maçônica Cavaleiros da Luz[4] na Conjuração Baiana. Abaixo uma comparação das conspirações do final do século XVIII, época de crise do Antigo Sistema Colonial:
Inconfidência Mineira:
Influenciado pelas idéias Iluministas
Admiradores da vitória dos Estados Unidos contra a Inglaterra
Revoltados com exploração colonial
Queriam conquistar a independência
Ajuda da maçonaria
Conspiradores estavam presos no período da Revolução Francesa
Decadência do ouro e os impostos absurdos
Livrar-se de Portugal pela dominação da metrópole
Elite Colonial
Propostas políticas menos democráticas
Conjuração Baiana:
Influenciado pelas idéias Iluministas
Admiradores da vitória dos Estados Unidos contra a Inglaterra
Revoltados com exploração colonial
Queriam conquistar a independência
Ajuda da maçonaria
Influenciada pela Revolução Francesa
Escassez de comida pelo aumento da plantação de cana-de-açúcar, pois os preços internacionais do açúcar subiram
Livrar-se de Portugal para que houvesse menos miséria
Classe média e de homens livres e pobres
Propostas políticas mais democráticas

A “República” escolheu a Inconfidência Mineira como “representante” dos movimentos que clamavam por liberdade, pois o medo dos “exageros revolucionários” comandado pelos menos providos de dinheiro era um fator a ser analisado tendo em vista que também poderia desagradar essa classe social durante a estada no governo. Não queria um incentivo para manifestações. Dessa forma, teria de propor um mártir, que apareceria em programas oficiais de educação, nos livros didáticos, nas praças e deveria ter uma data para comemoração e para as homenagens públicas, então, Tiradentes foi o eleito.
[1] Conjuração Baiana, anteriormente denominada Conjuração dos Alfaiates e Inconfidência Mineira.
[2] Cobrança dos impostos atrasados.
[3] Anos a mais de cadeia, exílio permanente em Angola e morte a Tiradentes, em Minas Gerais. Em Salvador, prisão, exílio na África, açoitamento em público e condenação à morte por enforcamento.
[4] A luz faz menção ao Iluminismo.

Liberais e Nacionalistas

As idéias liberais foram espalhadas por Napoleão Bonaparte por meio de conquistas feitas pela Revolução Francesa, no entanto as idéias foram vencidas pelo Antigo Regime. O Congresso de Viena teve como objetivo reverter as propagações que a conflagração tinha feito na Europa, tendo em vista que os vencedores tinham outras ideologias. A Santa Aliança[1] foi formada para que perpetuasse o conservadorismo nos países europeus, principalmente porque eram contrários aos interesses da elite industrial.
Nos anos 20, 30 e 40 do século XIX, revoluções com bandeiras do liberalismo e do nacionalismo foram levantadas por burgueses, intelectuais, artesãos, estudantes, operários e camponeses, o motivo, a opressão. Todos queriam liberdade e não gostavam de ser dominados, sendo assim, o liberalismo estava a favor do alvedrio dos indivíduos e o nacionalismo, além da liberdade, pregava a autonomia dos povos, o direito de criarem os próprios Estados.
A França pós-revolução viveu épocas de imposição e poder, somente com o “rei dos banqueiros” [2] houve crescimento econômico, desenvolvimento industrial e permanência do voto censitário, formando um contra senso com a desigualdade social. O resultado[3] foi uma grande crise, retorno à república com governo provisório[4] e ruas cobertas por sangues de operários e de simpatizantes da causa.
O retorno de um Bonaparte trazia esperança, Luís Bonaparte, sobrinho neto de Napoleão, foi eleito para governar a França. Promessas foram muitas, conchavos imensos com burgueses e militares e o império o próximo passo. Insatisfações na França e em alguns países europeus, a palavra era liberdade, para o povo. A democracia assustava os governantes com medo de perder poderes e ter de dividir com a população o domínio que havia conquistado.
Quase duas décadas depois, sob a liderança da burguesia aliada à aristocracia, a unificação da Itália com a Alemanha aconteceu, o nacionalismo falava mais alto que o liberalismo. Os ideais cruzavam oceanos e rumavam em livros contrabandeados para a América Latina, cujo local carecia da retirada de governos autoritários e opressores.
O Romantismo[5] esteve presente na Europa, não somente sob forma de literatura, porém de ideologias, era um período vibrante da Revolução Francesa, heróis e liberdade, a identidade individual era a marca, assim como, o resgate da história era feito por meio da arte. A música, por poder atingir em profundidade os sentimentos humanos, foi admirada pelos românticos. Política, literatura e arte para vencer o domínio de poucos, uma revolução que voltava a um passado distante e ideal, a fim de houvesse um sonho com uma nova sociedade.
[1] Formada com a finalidade de contenção de revoltas na Europa, a aliança era formada pelos governos da Áustria, da Prússia, da Inglaterra e da Rússia, uma união militar.
[2] Rei Luís Filipe recebeu essa designação, pois favorecia grandes capitalistas.
[3] As mercadorias ficaram sem compradores e muitas empresas foram à falência. Os salários baixaram e o desemprego cresceu. As colheitas foram ruins e a comida escasseou. A insatisfação popular eclodiu numa grande revolução.
[4] Formado por burgueses liberais que defendiam medidas de melhoria nas condições de vida e na diminuição do desemprego.
[5] Uma nova maneira de sentir e de interpretar a realidade.

O Iluminismo

Os iluministas partilhavam das idéias liberais de Locke, pensavam criticamente o Antigo Regime e chegaram a algumas conclusões, como, por exemplo, era irracional e injusto. O iluminismo recebia outros nomes[1] e tinha por princípio esclarecer os indivíduos através da razão. Utilizavam livros e panfletos para divulgar as idéias em linguagem simples e objetiva, a fim de que as pessoas pudessem compreender os escritos.
Novas propostas surgiram, como a garantia de liberdade e de igualdade para todos perante a lei, tendo em vista que somente nobres tinham direitos. A razão era o elemento principal dos pensamentos e a luta por uma educação melhor, pois acreditavam que os homens eram produtos da educação e da sociedade. Rousseau afirmava “o que homem é bom por natureza, a sociedade é que o corrompe.”
O século XVIII foi conhecido como Século das Luzes e, nesse período, as idéias eram revolucionárias. Na Educação, os iluministas acreditavam que a criança deveria ser educada de maneira natural, com liberdade, cara e incentiva, com a finalidade de que fosse despertada a bondade e as qualidades naturais do ser humano.
Progressos materiais[2] e institucionais[3], ingredientes[4] para a fórmula da felicidade humana, otimismo e verbetes[5] foram “trabalhados” no século das luzes. A crítica ao clero e aos ideais da Igreja foram grandes, a Inquisição era odiada pelos iluministas, Voltaire defendia a tolerância e apresentava provas de homens de outras religiões e países poderiam ser inteligentes e bem-intencionados.
A guerra e as perseguições seriam evitadas e o regime político deveria ser justo para estabelecer a igualdade jurídica, ou seja, as diferenças de classes não poderiam ser um indicador para um julgamento diferente. Muitos homens ricos da burguesia não tinham tratamento igual ao da nobreza e assim queriam ter. A burguesia quer os direitos.
O mais importante era o direito a liberdade, escravidão e servidão deveriam ser banidas do regime absolutista. A divisão dos poderes defendida[6] por Montesquieu era uma forma de garantia.
Os iluministas perceberam que existia um princípio fundamental na defesa dos direitos dos cidadãos e o Estado existia para servir ao cidadão, e não o contrário, dessa forma, o próprio Estado deveria se submeter às leis.
Alguns pensadores iluministas franceses se dedicaram a estudar economia, formaram uma corrente de pensamento econômico chamado de fisiocracia[7]. Defendiam o liberalismo econômico, ou seja, a idéia de que a economia só funciona bem quando o Estado não se intromete. Tinha m até um lema para isso: “lassez fire, lassez passer”. Os fisiocratas acreditavam[8] que só existia uma única atividade produtiva: a agricultura.
A revolução francesa de 1789 foi feita em nome dos ideais iluministas, pois os reis franceses, conservadores, não admitiam reformas. Lutar para modificar o governo era a razão contra a ignorância. Idéias assim causaram efeitos devastadores em “mentes” oprimidas[9].
Havia muitos monarcas absolutistas, fora da França, que apreciavam as idéias da ilustração e os governos ficaram conhecidos como despotismos esclarecidos. Uma contradição existia, o Antigo Regime permanecia, porém alguns reis aceitavam determinadas reformas, conforme as idéias dos “liberais”. A maioria dos iluministas, era a favor do despotismo esclarecido.
Escrevendo cada qual ao estilo que melhor era peculiar, Voltaire[10], Rousseau[11] e Montesquieu[12], filósofos iluministas contribuíam para que as idéias fossem “disseminadas”.

[1] Filosofia das luzes, ilustração, esclarecimento e enciclopedismo.
[2] Aquele que tona a vida das pessoas mais confortável.
[3] Aquele que amplia os direitos das pessoas, amplia a liberdade.
[4] Razão, liberdade e progresso.
[5] Enciclopédia de Diderot e D’Alembert.
[6] O governo deveria ser repartido entre pessoas diferentes. O poder Executivo deveria ser entregue ao rei ou a uma pessoa eleita para isso. O poder Legislativo deveria estar nas mãos de uma assembléia de deputados eleitos pelos cidadãos. O poder Judiciário seria exercido por juízes e por tribunais.
[7] Os fisiocratas acreditavam que, do mesmo jeito que a natureza segue as leis da mecânica descobertas por Newton, a economia também funcionaria de acordo com certas leis. Fisiocracia significava, em uma “tradução literal”, “poder da natureza”. Para os fisiocratas, a melhor maneira de fazer a economia de um país se desenvolver seria deixando a economia funcionar naturalmente, sendo assim, atacavam o mercantilismo.
[8] O comércio e o artesanato eram considerados úteis, mas “estéreis”. A agricultura, ao contrário, aproveitava o poder da natureza para transformar pobres sementes em ricas plantações.
[9] Camponeses famintos, burgueses prejudicados em seus negócios, artesãos sufocados por impostos, intelectuais humilhados por nobres, colonos desesperados ante as exigências das metrópoles.
[10] Escrevia de forma simples, engraçada e irônica.
[11] Empenhou-se em mostrar que havia muitos sábios e pessoas honestas nos povos com costumes e religiões diferentes dos europeus. Preferia um governo de assembléias populares, pois só poderia haver direitos de cidadania quando as pessoas participassem das decisões do governo.
[12] Montesquieu era nobre, mas de certa forma contrariou os interesses da nobreza. Foi um dos criadores da teoria da separação dos três poderes para controlar os poderes absolutistas do rei, desse modo, o poder seria limitado pelo próprio poder.

O Período Regencial

O Período Regencial compreende quase uma década com leis pertencentes à Constituição de 1824, tempo conturbado e com várias revoltas, que começaram com insatisfações no Primeiro Reinado e concretizações revoltosas na época regencial. Novamente o unitarismo[1] voltava à cena e contrapunha-se ao federalismo[2], inclusive na vontade de muitos que estavam no poder.

Grandes proprietários que moravam em outras províncias queriam o federalismo e, como tinham poder e dinheiro, financiavam rebeliões, que aconteciam no Norte, Nordeste e Sul brasileiro. A população das “classes médias” engrossava o coro dos revoltosos, com idéias liberais, rejeitavam também o voto censitário e o senado vitalício. Os miseráveis e famintos, além de sofridos, estavam descontentes.
Embora chamados de liberais[3], os dois partidos políticos, um moderado e o outro exaltado, divergiam quanto às questões relativas a reformas políticas, os moderados aceitavam pequenas descentralizações e liberdades públicas, pendiam para os latifundiários do Sudeste.
Os exaltados, queriam mais descentralizações de poder, extremamente federalistas, apoiavam os descontentes mais distantes da capital. Uma minoria, exaltada, conhecida como jurujubas, eram mais radicais nos pedidos e estimulavam as revoltas provincianas.
O Ato Adicional[4], amenizou a situação, porém não agradou a todos, uma leve descentralização de poder, no entanto o povo, na figura dos grandes proprietários, ou melhor, os ricos representados pelos menos favorecidos, queriam reformas mais profundas.
O medo começava a tomar forma, a elite apavorada e os moderados mais brandos organizavam a repressão, entretanto alguns batalhões se juntavam aos rebeldes. Padre Feijó, Ministro da Justiça, mandou prender os “jacobinos”, criou os “Batalhões Sagrados”[5] e criou a Guarda Nacional[6], era a elite reprimindo os menos favorecidos ou os mais favorecidos que colocavam o povo para lutar.
Medidas para conter as revoltas foram inúmeras, todavia sem sucesso, pois rebeliões federalistas cresciam no Brasil, a Cabanagem[7], por exemplo, teve o apoio de membros do clero, incluindo o cônego Batista Campos. Houve a invasão no palácio do governador de Belém e os fazendeiros do partido liberal exaltado tomaram o poder, pediram as armas aos cabanos e perderam o domínio para os revoltados.
O investimento em força foi grande, foram enviados soldados e navios de guerra para reprimirem os rebelados, a cidade foi bombardeada e os cabanos foram perseguidos, após a derrota. Ricos latifundiários tinham a paz novamente, depois da dizimação de um terço da população mais pobre. A insatisfação continuava em outros Estados e, em alguns casos, obrigou homens livres a fazerem parcerias com quilombolas para a luta com táticas de guerrilha.
Foi uma parceria que trouxe alguns benefícios, porém queriam mexer com muita gente, queriam que os comerciantes portugueses, considerados exploradores do povo, fossem expulsos do Brasil e exigiram a extinção da polícia, que atormentava os pobres e seguia fielmente os desejos dos latifundiários. Brigaram com muitos para continuar ganhando, assim, a repressão foi implacável, com fuzilamento de prisioneiros e incêndio de aldeias. Luís Alves de Lima e Silva (futuro Duque de Caxias) aparecia no cenário nacional, contra a população revoltosa, intermediava os interesses dos poderosos.
[1] Poder central e forte, com as províncias dominadas pela capital.
[2] Autonomia para cada província, direito das províncias de escolher seus próprios governantes, fazer suas próprias leis, pagar poucos impostos para o poder central.
[3] Tinham lutado contra os abusos de D. Pedro I, achavam que o governo não podia ser tão autoritário e reconheciam que o poder estava excessivamente centralizado. Tinham algumas idéias liberais.
[4] Conjunto de leis, que criou as Assembléias Provinciais, ou seja, nem todas as leis eram feitas pelo poder central, algumas leis também podiam ser elaboradas pelas Assembléias Provinciais.
[5] Formado apenas por confiáveis oficiais do exército.
[6] Uma espécie de polícia militar, com pessoas de poder aquisitivo alto, tinha como comandantes os maiores fazendeiros. Por esse motivo é que durante muito tempo os latifundiários brasileiros foram chamados de coronéis.
[7] Abalou o Grão-Pará. O nome derivava de que muitos rebeldes eram pessoas pobres que moravam em simples cabanas cobertas por palha e em palafitas na beira dos rios.

O Século do Ouro

A descoberta do ouro pelos bandeirantes paulistas foi um dos motivos de “desbravamento” dos índios. Escravos faziam o trabalho em rios e terras, no entanto não eram somente servis que trabalhavam, homens sonhavam com dinheiro e rumavam para as terras ricas. Portugueses também queriam a fortuna, como conseqüência houve falta de comida para todos. Fome, miséria e mortes por desnutrição existiam em cenário de tamanha abundância em ouro.
Produtos[1] de outros Estados eram trazidos com a finalidade de suprir a necessidade local e aumentar a renda dos comerciantes que “abusavam” no preço. Os bandeirantes foram os primeiros garimpeiros, dessa forma, consideravam-se como os únicos com direito de minerar.
Emboabas[2] e bandeirantes brigavam[3] na terra sem lei, incluíam-se a esse barulho garimpeiros contra garimpeiros, garimpeiros contra comerciantes, índios e escravos. Todos queriam o ouro, entretanto o sangue é que banhava o lugar. O governo português começa a controlar a mineração, uma lei mais severa que a falta de lei existente.
A esperança de melhorar de vida – uma sonhada mobilidade social – poderia ser direcionada àqueles que possuíam recursos financeiros. A aspiração por obter mais lucro, piorava a vida do escravo que, por muitas vezes, era pior que no trabalho agrícola. Vários impostos estavam previstos nas leis, o quinto[4] era o principal. O sentimento negativo em relação à Metrópole era desenvolvido pelos exploradores e como resultado sonegavam[5] o tributo.
Casas de fundição foram criadas para combater a sonegação, o quinto era retirado nesses estabelecimentos. A resposta contra o controle da Metrópole foram as Rebeliões[6]. Principalmente, porque novas preciosidades estavam sendo encontradas em outros Estados e o governo aumentava mais o “mando” na Colônia.
Um contratador foi nomeado, a função era a de vigiar e pagar para o governo os altos impostos. Ouro e diamantes pagavam produtos que eram comercializados com a Colônia ou contrabandeados. A riqueza saia das mãos brasileiras e migrava para mãos européias. Os portugueses entregavam a abastança em tratados[7], que prejudicavam a economia de Portugal.
A geografia do Brasil colônia “oscilava” em regiões açucareiras e províncias mineradoras, zonas rurais e urbanas que “desfilavam” riquezas. As cidades eram importantes centros econômicos, ricos e pobres mesclavam com uma emergente classe social: a classe média[8] colonial. A capital da Colônia “mudaria” para a região sudeste, afinal o crescimento econômico estava nesses Estados.
A mineração estimula a pecuária, a fim de vender a carne[9], que era envolvida com bastante sal e depois colocada no sol, surgiu a criação de bois e, em alguns Estados, a criação de porcos. Os pobres e escravos eram alimentados com o charque e os ricos, com carnes frescas. A mineração, a produção de cana-de-açúcar, a exportação de algodão e a pecuária uniam o Brasil na economia.
O tabaco e a “cachaça” serviam como financiadores para a compra de novos escravos, as monções[10] ligavam o Brasil no comércio e a decadência da extração de ouro mudou as características regionais. Pombal obteve sucesso com a balança comercial de Portugal, com raciocínio mercantilista procurou diminuir o contrabando e com a instalação de pequenas manufaturas valorizaram a produção local.
Economia e política modificando o Brasil, o real dono da Colônia seria a Metrópole, o sistema de capitanias hereditárias foi extinto. A política atraia a elite para o Rio de Janeiro e expulsava os jesuítas da Metrópole e da Colônia. A morte de D. José I[11] retrocede a economia por vias políticas.
O retrocesso e a independência das Treze Colônias inglesas foram “estopins” para movimentos de independência em Minas Gerais e na Bahia, todavia a Colônia estava insatisfeita com tantas desvantagens financeiras e burocráticas. A mudança seria o caminho para a liberdade.

[1] Eram variados, como, por exemplo, queijos, facas, ferramentas, roupas, louças, vinhos e móveis.
[2] Alcunha que os bandeirantes deram aos portugueses e forasteiros interessados no ouro dos pioneiros.
[3] Guerra dos Emboabas.
[4] Os garimpeiros eram obrigados a entregar ao governo colonial um quinto de todo o ouro que descobrissem.
[5] Escondiam o total do ouro e, por inúmeras vezes, obrigavam os escravos a engolir grandes quantidades de ouro. Santos eram “recheados” com ouro. O ouro era colocado nos santos feitos de madeira.
[6] Uma das principais rebeliões foi a de Vila Rica, contra as casas de fundição.
[7] O Tratado de Methuen estabeleceu que o Portugal compraria tecidos da Inglaterra e os ingleses comprariam o vinho português.
[8] Médicos e advogados figuravam nessa nova classe social.
[9] Para que a carne não apodrecesse, era feita a carne-seca.
[10] Eram expedições de comércio de mercadorias levadas pelos paulistas até as áreas produtoras de ouro no Centro-Oeste. Nas monções, as mercadorias geralmente partiam pelo rio Tietê, em São Paulo.
[11] Representante do despotismo esclarecido em Portugal.

Primeiro Império

O Brasil experimentou vários tipos de governos, muitos governantes e bastante ideologia. No Primeiro Império, foi governado pelo imperador D. Pedro I, superautoritário, não admitia críticas e levava tudo até as últimas conseqüências, prisão e morte. A lei pregada pelo iluminismo, o contrato a ser firmado com a sociedade, ainda não era respeitado pelos governos.

A elite conseguia o direito nos contratos, os debates políticos atendiam aos senhores mais abonados e o partido português defendia poderes infinitos ao imperador, assim como, o partido brasileiro, porém com a inserção dos deputados no controle. As pessoas de baixa renda não tinham “voz” e voto e os radicais queriam uma monarquia constitucional.
O trabalho dos constituintes foi acompanhado pelo imperador, que mandou prender aqueles que defendiam o controle do poder feito por deputados e senadores[1]. A Constituição do Brasil foi escrita pelos assessores do imperante, com valor democrático pequeno, separava o poder em três: Executivo[2], Legislativo[3] e Judiciário[4]. O quarto poder, o Moderador[5], era superior a todos os outros, poderia fazer nomeações e demissões para servirem ao imperador, incluía o fechamento da Assembléia Geral do Império[6].
Os impostos eram regulados pela Constituição, dessa forma, centravam no Rio de Janeiro, capital do império. As escolhas e as nomeações dos governadores serviam ao propósito do quarto poder e as leis eram feitas pela Assembléia Geral do Império. A autonomia dos Estados era inexistente.
A religião reconhecida era a Católica, as outras religiões não poderiam ter templo nas ruas, tão pouco reuniões públicas. Subordinada ao Estado a igreja, a promoção de padres e bispos estaria ligada ao poder do Estado, o beneplácito[7] era do imperador. Desse modo, os conservadores seriam os mais beneficiados. Frei Caneca, liberal, um dos líderes da Confederação do Equador[8], se opôs ao autoritarismo imperial.
As insatisfações eram grandes em relação à Constituição, os assuntos mais urgentes era o Poder Moderador, o senado vitalício e o unitarismo[9]. Incluindo as prisões e as mortes daqueles que incomodavam o imperador. Revoltas iniciaram e as camadas populares e médias se rebelaram também. Embora os interesses fossem políticos, as ideologias estavam fervilhando “nas cabeças” dos revoltosos.
A perda de uma parte do Brasil, significava diminuição de impostos, assim, alianças com grandes proprietários nordestinos poderia ser um modo de ter o poder em locais revoltosos. A força foi necessária para retomar o poder, bombardeio, incêndio e saques serviram para ter a obediência local, além de execução dos derrotados, entre eles, Frei Caneca. Era o retrato do Estado Nacional Brasileiro.
Expulso do governo e do Brasil, em 1831, Dom Pedro I tinha apenas o apoio do partido português. Autoritário e violento, arrogante e desrespeitoso, contribuía para piorar as situações econômicas do Brasil, que começava a se tornar interessante para os capitalistas londrinos.
Os ingleses pressionavam o Brasil, para que os interesses estrangeiros valessem. Na economia, havia inflação e o Banco do Brasil foi à falência. O ingresso na Guerra da Cisplatina[10] agravou os problemas financeiros brasileiros, na seqüência, a Declaração da Guerra contra a Argentina, um ultraje à economia nacional, tanto no desgaste, quanto no aumento dos impostos e no envio de jovens brasileiros para a morte.
Maria da Glória, filha de Dom Pedro I, governaria Portugal, quando maior de idade e casada com o tio dela, porém os planos do tio, Dom Miguel queria ser o próprio rei. Absolutistas e liberais brigavam pelo poder e havia a ameaça de independente o Brasil voltar a ser unido a Portugal.
A Noite das Garrafadas foi a explicitação da insatisfação brasileira, que mostrava no corpo e nos cadáveres a tirania portuguesa. A festa, nas principais cidades brasileiras, revelava a alegria da queda do tirano, Dom Pedro I, que fez mais história, após esse episódio.
[1] Cargo vitalício.
[2] Deveria dirigir a nação e seria exercido pelos ministros nomeados pelo imperador.
[3] Faria as leis. Seria exercido pela Assembléia Geral do Império, formada por deputados e senadores.
[4] Encarregaria de zelar pelo cumprimento das leis.
[5] Exercido diretamente pelo imperador.
[6] Formada por deputados e senadores, eleitos por voto censitário e indireto.
[7] Autorização.
[8] Criação de uma nova nação, unindo províncias nordestinas em regime republicano.
[9] O poder central teria plenos poderes sobre todas as províncias.
[10] O Uruguai foi considerado parte do Brasil, com o nome de província Cisplatina.